30 ANOS ESTA TARDE
Do alto, o avião descendo e a janelinha se agigantando, o que eu via era uma espécie de cópia real do filme Blade Runner. Contra a luz natural do ocaso, quase noite, muitas linhas, traços meio neon, meio tridimensionais em cores fortes, variadas, vibrantes. Não parecia o chão de uma cidade, parecia a superfície de um planeta futurista e delirante. Uma placa de computador em escala infinita iluminada por um led ainda não inventado. Era Brasília se aproximando de mim, uma cidade-futuro, meu futuro – muito mais do que eu suspeitava naquele momento. Cheguei aqui num 23 de maio, como hoje. Era 1995. Trinta anos esta tarde, este anoitecer. No aeroporto, outro elemento. Água. Forte, corrente, sonora, água cantadeira. Nunca vou esquecer o som das cascatas artificiais que havia bem no meio do saguão do aeroporto de Brasília naquela época. Por muito tempo, aquilo se tornou o som das nossas viagens, eu e Rejane, ainda sem Cecília e Bernardo. Transbrasil BSB-NAT, voo dos pobres, 23h. A...