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MEU PAI, OLIVER SACKS E A DIGNIDADE NA DOENÇA

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  Meu pai tinha a doença de Parkinson. O mal lhe apareceu pouco tempo após ele se aposentar de suas atividades, parando de ser o que fora durante anos – um homem forte, incansável, bem disposto e tão ativo que todos os dias dormia muito pouco tempo após o sol de por, “enfadado” como ele sempre dizia. A enfermidade degenerativa apareceu tão logo ele entrou no período do mais merecido descanso – era um misto de feirante e comerciante de frutas, viajando frequentemente entre Parelhas (RN) e os sítios da região, onde comprava sua mercadoria dos agricultores, e o Ceasa de Campina Grande, a feira de Caicó ou a fábrica de doces Simas Industrial, na avenida Salgado Filho, em Natal (pra quem levava carradas e carradas de goiaba). A doença, ou talvez os medicamentos que tomava em função dela, causavam verdadeiros delírios em meu pai. Podiam ser violentos, com o dia em que quebrou uma dessas cadeiras de plástico num ataque de fúria (foram poucos, mas assustadores, levando em conta que sempr...