OUTRA ROTA PARA O BRASIL

Fui aos Lençóis Maranhenses há dois meses. Sim, difícil descrever de tão impactante. Mas outro aspecto me chamou atenção: uma rota de turistas estrangeiros que não conhecia, nunca havia visto nas minhas outras viagens pelo Nordeste e dos tempos de Natal (sou potiguar, residente em Brasília).

Descobri um interessante fluxo de gente europeia - franceses e espanhóis foram os que mais se destacaram - que vai a:

1-Lençóis Maranhenses

2-Bahia (Salvador, Pelourinho)

3-Pantanal

4-Foz do Iguaçu

5-Parati

6-Amazônia, sobretudo.

Fluxo de portugueses e italianos para Natal, Pipa, Fortaleza ou Recife eu já havia visto, conhecia. Mas este outro, não. E me pareceu alguma coisa mais relevante, verdadeira, ligada não apenas ao lazer da viagem - e essa mania de ostentar conhecer este ou aquele lugar - mas ao prazer de estar realmente em lugares inesperados e únicos.

Sei que pode, deve, ter sido mais impressão do que realidade - ou nem tanto? As incertezas, sempre presentes e tornando tudo mais interessante: parecia um grupo coeso.

1-Muitos jovens, gente com idade por volta de 17 anos;

2-Gente que parecia muito curiosa por detalhes da realidade local, dessa natureza tão brasileira, explicitamente tão brasileira.

3-Gente que não parecia tão interessada em lazer caro, de alto luxo, coisa exclusiva neste sentido monetário, mas atraída por algo genuíno; não vi ostentação - vi busca de vivências reais.

4-Gente jovem que enchia lanchonetes como o Café do Ponto em Barreirinhas e dava a mais perfeita impressão de estar “em casa”, completamente à vontade. Turmas de garotos e garotas em intensa interação.

Nos passeios às dunas e lagoas, minha mulher conversou bastante com uma dupla de espanhóis igualmente jovem, absolutamente interessada neste “tipo de Brasil”: não necessariamente exótico, mas único em termos geográficos, humanos, paisagísticos. Eles já havia ido à Amazônia, passado por Salvador e o próximo passo, se bem me lembro, seria o Pantanal.

A própria cidade de Barreirinha, caótica, sem planejamento, barulhenta, superlotada (claro, porque era alta estação turística local), que para tantos pode soar “Brasil demais”, incômoda, sem apelos, só tumulto, parecia não incomodar nenhum dessas visitantes. Junto com eles, apaixonei-me por Barreirinhas, que ajudou quebrar certo enjoo que eu vinha sentindo das linhas milimetricamente planejadas de Brasília e sua certa frieza urbana (estou falando de Plano Piloto, me entendam).

Gostei, junto com esse bando de europeus branquelos cheios de queimaduras de sol brasileiro, da aparente bagunça de Barreirinhas, suas mil e uma lojinhas de açaí (e que açaí, nunca esquecerei de tão bom), suas hordas de motocicletas e raros táxis, seus minicaminhões de transporte de visitantes. I love Barreirinhas.

E foi isso, fiquei curioso, junto com aqueles seminórdicos nos trópicos,

por lugares como Bonito, por exemplo. Como sou originário do sertão nordestino, tenho a mais enraizada atração pelo litoral. Coloque uma praia no meu roteiro e não quero saber de mais nada. Pois essa viagem aos Lençóis via Barreirinhas mudou minha percepção.

Vamos prestar atenção nisso a partir de agora. 

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