Nosso homem em Itabaiana

Faz 40 anos,

Em algum dia de 1984, eu com 18 anos, fazia uma das várias viagens entre Parelhas, na região do Seridó potiguar, e Recife, onde fazia o primeiro ano de Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco.

O caminho habitual passava por Campina Grande, onde eu trocava de ônibus.

Mas naquele dia, na ocasião que interessa particularmente hoje, 24 de outubro de 2024, eu não estava viajando de ônibus.

Ia pro Recife de carona com um conterrâneo de Parelhas, Nilson (obrigado sempre, Nilson) que fazia frequentemente a viagem entre as duas cidades e gostava de ter companhia, até porque o percurso é longo.

Estávamos bem adiantados na viagem, já na Paraíba, quando o céu começou a preparar aquele temporal, certamente de verão.

Estávamos em Itabaiana, uma cidade que cheira forte, que me ficou na lembrança tanto por aquela chuvarada quanto pela intensidade nas cores, fosse nas paredes das casas, no verde das matas, no peso do ar com umidade saturada. 

Parecia aquilo que eu já conhecia dos livros - a costa do Cacau das histórias de Jorge Amado - mas ainda não de fato.

Eu pensava que era "o brejo" - aquela região já meio mitológica na minha cabeça, em que a Paraíba se transformava num planeta à parte, de muita riqueza natural, de fartura e rios cheios, de chuvas torrenciais e frio cortante à noite. 

Tudo isso vinha do que me falava meu pai, mangaieiro fera na geografia paraibana.

Itabaiana era tudo isso.

Itabaiana, torço para que sim, segue sendo tudo isso.

Esta noite, Itabaiana vai brilhar mais forte. Vai emitir suas cortes cintilantes e projetar sua atmosfera docemente carregada de gosto de fruta na direção do universo.

Itabaiana é a cidade onde nasceu Vladimir de Carvalho, que completou uma jornada terrena hoje.

Outro dia eu falo sobre como os filmes dele entraram em outras rotas que percorri na vida. Por hoje, vamos nos precipitar espiritualmente sobre Itabaiana.

Como chuva boa de verão molhando o brejo paraibano.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O PESO DE UM LEGADO

30 ANOS ESTA TARDE

A CADEIA DO EXTERMÍNIO